A emoção do Judô
Por Gabriel Carmona | August 13, 2008
O dia de hoje para a equipe brasileira de judô foi especial, não pela conquista de medalhas mas pelo caráter, emoção, coração e comprometimento com a pátria do judoca Eduardo Santos.
Competindo na categoria -90kg Eduardo venceu as duas primeiras lutas por Ippon e foi derrotado na terceira por imobilização no final da luta pelo francês Yves-Matthieu Dafreville. Na repescagem Eduardo venceu a primeira luta e foi derrotado na decisão dos árbitros na decisão (que daria a ele a oportunidade de disputar a medalha de bronze) pelo suiço Sergei Aschwanden.
Após a luta extremamente emocionado Eduardo declarou enquanto derramava lágrimas: “Não sei o que dizer. Fiz o melhor que pude, mas não deu. Queria falar para meu pai e minha mãe que dei o melhor de mim, mas não tive competência para jogar meu adversário”. Minutos depois um pouco mais calmo ele afirmou que não vai desistir, que vai treinar mais, sacrificar mais e vai conquistar títulos.
Pode até ser que nos próximos campeonatos Eduardo Santos não chegue ao topo mas sua história é um exemplo de perseverança, capacidade e muita garra. Ele mora numa região menos abastada da cidade de São Caetano do Sul e até o final do ano passado ele era ainda faixa marrom e conquistou a vaga na seleção brasileira ainda nesta condição pela simples razão que o exame para mudar da faixa marrom para preta custa a bagatela de R$ 1.500,00, dinheiro esse que o batalhador Eduardo não tem e somente após a conquista da vaga na Olimpíada a Confederação Brasileira de Judô deu o exame de faixa de graça para o atleta que enfim pode mudar de faixa.
Eu me pergunto, onde está o dinheiro do patrocínio que a Confederação Brasileira de Judô recebe do governo brasileiro? Como o país pode esperar medalhas olímpicas quando em momento algum apóia o desenvolvimento do esporte colocando taxas absurdas para mudanças de faixa do judô? Como é possível que atletas de alto nível como Eduardo e Ketleyn Quadros (medalhista de bronze e primeira mulher brasileira a conquistar uma medalha individual) tenham que passar a vergonha de não ter dinheiro pra mudar de faixa ou para comprar um kimono?
Como um romântico do esporte achei a atitude e o choro de Eduardo hoje um grande tapa na nossa sociedade que esquece que antes de sonhar com conquistas precisamos investir no desenvolvimento dos jovens atletas, em centros de treinamento, alimentação e equipamento (roupas e etc.) e jamais submeter um jovem talentoso como o bravo Eduardo e a vencedora Ketleyn ao choro e a vergonha de não poderem vencer mais por falta de condições sociais.
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