Fiquei alguns dias pensando sobre o assunto e o que escrever sobre Sir Edmund Hillary, sua morte semana passada e o significado de seus feitos para o esporte e para o Nepal, sim alpinismo é esporte e dos que mais exigem do corpo e da mente de quem pratica, ainda mais em escaladas acima dos 6000 metros de altitude e especialmente para os seres especiais que vão acima dos 8000 metros.

Hillary chegou ao topo do mundo em 1953, enquanto o mundo ainda se recuperava da Segunda Guerra Mundial e já tinha em vista a Guerra da Coréia, num tempo em que a tecnologia ainda engatinhava, principalmente no que se tratava em equipamentos de sobrevivência, cilindros de oxigênio e roupas térmicas leves e confortáveis. Acompanhado do Sherpa Tenzing Norgay ele foi a segunda tentativa de chegada ao topo da equipe inglesa da qual faziam parte e entraram para a história, viraram polêmica sobre quem seria de fato o primeiro a ter alcançado o topo do Everest (feito só assumido por Hillary após a morte de seu grande amigo Tenzing Norgay na década de 70) e Hillary um feroz defensor dos direitos dos Sherpas e benfeitor da comunidade no Nepal onde é tão respeitado e lembrado quanto o rei local.

Nunca quis o título de Sir, nem a fama e o garbo de estrela neozelandesa e britânica, teve uma vida atribulada, por ironia do destino perdeu a mulher e a filha em um acidente de avião no Nepal nos fins dos anos 70, nunca mais escalou o pico que lhe rendeu fama e fortuna, seu filho Peter escalou o Everest por algumas vezes, inclusive quando a conquista do pai completou 50 anos em 2003.

Hillary foi uma daquelas pessoas especiais, iluminadas e teve o privilégio de subir onde nunca ninguém havia ido antes. Que seu legado de coragem, conquista, liderança e luta sirva de exemplo para muitos.


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