Para a estréia da sessão “CoolT entrevista”, tivemos a honra de bater um papo com Márcio Ballas, um dos melhores palhaços do Brasil e fundador do Jogando no Quintal.

Crédito: Fred Bottrel
Coolt: Quando, como e porque você resolveu se tornar palhaço?
Márcio Ballas: Em 94 fiz um curso de clown com um cara chamado Fernando Vieira. Igual a esses cursos que eu dou atualmente de um final de semana, para iniciantes. Daí fiquei encantado com a linguagem e comecei a fazer todos os cursos que apareciam, mesmo tendo me formado em Marketing na ESPM e ter um negócio próprio. Depois de 3 anos,eu resolvi largar tudo, fui morar na França e ser palhaço profissional.
C: Recentemente houve uma “explosão” de espetáculos de improvisação, como o Improvável e o ZÉ (zenasemprovisadas). Qual a influência que o Jogando no Quintal teve para o surgimento e a consolidação deste “movimento”?
MB: A meu ver o Jogando no Quintal em São Paulo e o ZÉ no Rio foram dois espetáculos muito importantes para a popularização dos espetáculos de improviso, até porque nós somos os poucos que ensinam a técnica no Brasil.
Muitos grupos nos contam que viram o Jogando e daí resolveram trabalhar com improvisação. O próprio Improvável - que é atualmente um fenômeno pois já foi visto na Internet por mais de 20 milhões de pessoas – se inspirou no Jogando no Quintal e no ZÉ tambem.
Na época, eles me chamaram para dar um curso para eles e eu acabei me envolvendo. Hoje faço uma orientação artística para o projeto.
C: Com o passar do tempo, o Jogando teve desdobramentos, como a Banda Gigante, o espetáculo Caleidoscópio e o infantil O mágico de Nós. Você e o César Gouvêa (na posição de criadores / fundadores do Jogando) excercem alguma influência nestes projetos ou eles tem total autonomia, ficando sob a responsabilidade somente das pessoas diretamente envolvidas?
MB: Depois de muitos anos pesquisando e treinando sozinhos (no Brasil poucas pessoas trabalhavam com improviso) sentimos vontade de aprender mais e nos aprofundarmos. Assim, organizamos 3 festivais Internacionais para ver grupos de outros países que trabalhavam há mais tempo com a impro.
Vieram grupos da Argentina, Colômbia, Espanha, Equador e Chile.
Inspirados nos espetáculos que assistimos e no nosso aprofundamento técnico surgiu a vontade de novas criações.
O César então dirigiu “O Mágico de Nós” que é o primeiro espetáculo de improviso INFANTIL do Brasil que nós conhecemos e eu fui dirigir o “Caleidoscópio-um espetáculo de improvisação teatral” que é uma peça de uma hora totalmente improvisada,inspirada em alguns elementos que o público nos dá. Diferentemente do Jogando, é um espetáculo de humor,lirismo e poesia.
C: A itinerância (os espetáculos já passaram pelos “estádios” das ruas Cotoxó e Faustolo e por espaços como Cuca, Amorim, Cachaçaria Paulista, Teatro Santa Cruz até chegar ao Tuca) é uma opção, uma necessidade ou ambos?
MB: Cada temporada depende de alguns aspectos como patrocínio, disponibilidade de teatro, agendas etc
Ping Pong
- E o palhaço o que é?
Um ESTADO.
- Se não fosse palhaço eu seria:
Improvisador (aliás,estou tentando ser !)
- Improvisar é:
estar presente no momento,no aqui agora, criando e dirigindo minha própria história
- Marcio Ballas por João Grandão:
“Incrível !”
- João Grandão por Marcio Ballas:
“Incrível também”